Psicóloga orienta sobre a importância da mediação de conflitos nas relações

Profª. Drª. Gisele de Lima Fernandes Ribeiro, da Unicid, aponta que a pauta foi potencializada devido ao cenário de pandemia e isolamento social;

Especialista avalia que a situação atual também é uma oportunidade para se extrair coisas boas, desenvolver a empatia e o autoconhecimento


Para a psicóloga ProfªDrª. Gisele de Lima Fernandes Ribeiro, docente do curso de Psicologia da Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, a pauta Mediação de Conflitos foi potencializada a partir do cenário de pandemia e isolamento social.

A especialista argumenta que, por mais difícil e peculiar que seja o momento atual, é possível que os indivíduos identifiquem a ocasião como uma oportunidade de melhora individual e coletiva, como também, para o desenvolvimento da empatia e autoconhecimento, sobretudo, a partir dos relacionamentos sociais.

“De uma mesma situação, podemos sempre extrair coisas distintas: boas ou más, que nos edificarão ou nos enfraquecerão. Com o advento da pandemia, o assunto conflito teve uma maior repercussão, haja vista, o maior tempo de convivência entre os indivíduos devido ao isolamento, sobretudo no ambiente familiar. Na mediação dos conflitos, nenhuma verdade é absoluta, uma vez que cada indivíduo reagirá baseado na forma como percebe e reage aos acontecimentos que o cercam. Entretanto, podemos ter alguns comportamentos que facilitarão as relações, sejam elas quaisquer que forem”, avalia. 

Conforme indica a psicóloga da Unicid, apoiado na individualidade de cada um, não é possível ser categórico e afirmar que o convívio com o grupo social, tal como a família, somado ao isolamento, potencializará os conflitos. Diante disso, a Drª. Gisele explica, que cada grupo reagirá com base nas experiências de vida e percepções frente à atual situação de pandemia, isto é, a partir do repertório de vida e vivência de cada um.

Por outro lado, a professora argumenta ainda, que em um quadro mais pessimista do atual cenário, à medida que os dias de isolamento social avançam, as situações de convivência com outras pessoas ou mesmo individuais, se torna mais cansativa e desgastante.

“Os espaços físicos compartilhados se tornam aparentemente menores, as demandas se intensificam e muitas vezes se chocam, além do cenário pessoal de cada um: de pressão, de incertezas, de insegurança oriunda da própria pandemia. Aquilo que inicialmente pareceu para muitos um prolongamento de férias, tem se estendido e pode ter se transformado, para alguns, uma sobrecarga de demandas, na maioria das vezes, incompatíveis, e é aí que entra a reflexão e o cuidado”, enfatiza.

O que são os conflitos?

A professora aponta que conflito é o que ocorre quando os indivíduos se veem diante da necessidade de escolher entre situações incompatíveis, isto é, a opção por algo e abdicação de outra.

“Decidir entre duas boas oportunidades de emprego não é tão simples quanto possa parecer, por exemplo. Considerando os tempos atuais, a escolha entre ficar em casa, mantendo o isolamento social, ou viajar em um final de semana prolongado e muito ensolarado, tem se mostrado bastante conflitante. Enfim, a todo momento de nossas vidas fazemos escolhas, e a decisão diante de situações como essas é, muitas vezes, conflitante, pois cada ação traz seus desdobramentos”, explica.

“Mediar os conflitos que nos cercam exige exercício da empatia, a análise das situações de forma mais racional, o cuidado na comunicação coerente e transparente, entre outros fatores, ou seja, é um trabalho contínuo”, aponta.

Como mediar um conflito familiar?

“É fundamental que haja empatia de todos. Quanto mais esse exercício for praticado, mais fácil será administrá-lo. Porque se só uma parte cede, só uma parte abdica de seus interesses, a situação não se manterá, e o resultado posterior poderá ser ainda pior. A coerência entre discurso e ação é primordial”, afirma.

Como indivíduos que moram sozinhos podem lidar com conflitos?

“O fato de morar sozinho pode amenizar em relação a algumas escolhas que impactarão a gestão no lar. Essa pessoa não terá que compartilhar algumas decisões, caberá somente a ela definir sobre certos assuntos.  Contudo, mesmo morando sozinha, essa pessoa terá seus próprios conflitos, ou seja, se deparará com situações nas quais precisará fazer escolhas, abdicando de uma das opções. Além disso, ainda que morando só, não somos uma ilha, compartilhamos diversas situações com outras pessoas em nosso dia a dia. Assim, a questão de conciliar escolhas, colocar-se no lugar do outro, compatibilizar continua existindo mesmo para aqueles que moram sozinhos. Empatia e autoconhecimento novamente são as palavras-chave, explica.


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